segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Platonismo e Reciprocidade


Olá a todos,

Sim, eu sei que a frequência em que atualizo aqui diminuiu bastante, mas quem gosta de me ler pode ficar tranquilizado, eu não abandonei nem abandonarei o blog. Acho que simplesmente não estou em uma fase muito introspectiva pra ter inspiração a escrever, mas os dedos ainda coçam algumas vezes pra escrever e é o que aconteceu hoje.

E o assunto de hoje eu já disse no meu twitter que escreveria, platonismo. Não falo sobre a filosofia de Platão, mesmo porque estou bem longe de saber dignamente dela, falo sobre os sentimentos platônicos mesmo.

Se você, leitor, espera um post "fru-fru" aqui obviamente não sabe nada sobre mim, mas se está acostumado comigo já  imagina que não vou falar exclusivamente de amor platônico e sim sobre todos os sentimentos não correspondidos. Sempre abstraia, sempre!

Aproveitando que estou dando dicas sobre como encarar o que escrevo, vocês sabem que gosto de criar algumas "balanças" e tento chegar a um ponto de equilíbrio em vários assuntos. Bem, o contrapeso do platonismo é minha amada reciprocidade, é dela que começo falando. O que não é platônico tende a ser recíproco.

A reciprocidade é a forma mais básica de tentarmos implantar nossa justiça pessoal, (ao menos é assim que funciona comigo) tentamos devolver o mesmo sentimento absorvido de outra pessoa. Natural ao ter simpatia/antipatia por alguém querer a simpatia/antipatia da pessoa de volta, caso não consiga, provavelmente a sua simpatia inicial acaba se dissolvendo.
Do outro lado acontece o mesmo, alguém que recebe o bem/mal de outra pessoa, tende a devolver o mesmo. São dois casos de reciprocidade justa.

Olhando por esse lado mais superficial parece bem simples a questão né? Bem, o problema é que já crescemos(e emburrecemos) e todos nós já sabemos que não é tão simples assim.

E quando não sabemos interpretar o sentimento vindo de outra pessoa? E se mesmo conhecendo o sentimento vindo de outro ainda assim nos recusamos a devolver do mesmo modo? Tem como devolver do mesmo modo? E quando o outro não devolve do jeito que queremos?

Bem, quando a pessoa não devolve do mesmo modo até que é simples. Surgem duas opções: Reciprocidade (parar de investir no sentimento) e platonismo (criar um amigo imaginário espelhado na pessoa e investir no sentimento). Não sei se preciso explicar essas duas opções, acredito que todos entenderam, se não entenderam é legal pensar sobre.

O que mais nos faz escolher a opção do platonismo é não conseguir entender o outro lado da moeda. "porque a pessoa não me ama/odeia de volta?"

Já parou pra pensar quantas pessoas te amaram/odiaram sem você devolver? Vamos nos sentir na pele da pessoa não recíproca a você (ela dá raiva mesmo, é complicado não ter a opção de controlar ela)

Agora que estamos no segundo plano, recebendo um sentimento, decidimos não devolver. Por que? Simples, não temos a obrigação de devolver. Isso nos faz ter opções e escolhemos a de não devolver. Tendo noção de que a escolha é realmente nossa, escolhemos devolver(ou não) a simpatia/antipatia do modo que for sem peso nenhum na consciência. É a nossa liberdade emocional que estamos aproveitando. Já a pessoa que gerou o sentimento não-correspondido não conseguiu se tornar importante o suficiente, ela não nos atingiu.

O grande problema da não-reciprocidade é esse, a indiferença. O gerador do sentimento se sente péssimo em não ser correspondido, porque consciente ou inconscientemente a pessoa sabe que não pôde atingir você. Assim descobrimos a talvez mais poderosa arma sentimental, a indiferença.

E agora vamos finalmente ir para a parte mais interessante: E quando não entendemos o sentimento da outra pessoa?
Vocês sabem quando isso acontece? SEMPRE!!

Nós nunca sabemos entender direito o outro, isso fica bem claro graças a algo bem simples. Todos são diferentes, logo, sentem diferentemente, logo, demonstram diferentemente. Se não conseguimos entender nem o que nós mesmos demonstramos, como entender o que o outro demonstra? Não tem como. A reciprocidade aqui vira uma ilusão.

Mas Lucas, existem casais que se amam, eles sabem que se amam, sentem que se amam, realmente se amam.

Sim, embora eu discorde da parte de ter certeza absoluta que a outra pessoa ama(mas é melhor não pensar muito nisso senão você pira), acredito na intensão das pessoas.
Reciprocidade é isso, quando ambos tem a mesma intensão. "ele/ela não me ama/odeia do jeito que imagino, mas tem a mesma vontade de me amar/odiar que eu tenho por ele/ela".

Destruímos o platonismo então? Claro que não.
Nem platonismo e nem reciprocidade são bons ou maus. Talvez nem tenham ponto de equilíbrio na minha "balança" (se tem, eu claramente estou fora dele)

O platonismo bom é aquele que sabemos que é e sempre será platônico. Exemplo:

Lucas odeia George Bush, o ex-presidente não odeia Lucas de volta. Porém, tudo está bem, Lucas sabe que não é odiado de volta, porém, também sabe que nunca poderá exercer o ódio, se tivesse esperança real de exercer, talvez ficasse louco. (só um exemplo, eu não odeio o cara, só acho ele escroto)

O platonismo é bom para treinar o "sentir", o segredo é não alimentar a esperança. Sentindo nos tornamos mais vivos e quebramos a frieza.
Todo sentimento vem com uma dose de platonismo misturada, tem sempre uma interpretação errada e uma projeção inventada da sua mente anexada ao seu conceito de qualquer pessoa.
Digamos que o platonismo é um remédio viciante, se não tivermos o auto-controle usamos demais e isso vira tóxico.
O grande problema desse remédio é que ele é fácil de conseguir, é só olhar demais pra fora e não olhar pra dentro ou olhar apenas para um ponto fixo, sem ter noção de outros milhões de pontos em volta.

Então, aproveitem com moderação.
Valorize a reciprocidade, mas não a ponto de se tornar de pedra.
Sinta o platonismo, mas não a ponto de se tornar idiota.

Ciao!! =)

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